sábado, 16 de novembro de 2013

Retiro o que disse


Digamos que eu preciso passar a você uma mensagem na qual eu devo dizer como você se comporta perante os outros. E nessa mensagem eu devo dizer qual a minha avaliação (positiva ou negativa) sobre o seu comportamento. Imaginemos que para isso eu só tenha uma única folha e apenas uma caneta, além disso que eu seja proibido de apagar ou borrar o que eu escrevi. Se eu quiser indicar que houve um erro no que escrevi, só poderei no máximo passar um traço cortando as palavras que eu gostaria que fossem desconsideradas. Por exemplo, assim: melancia. Sob essas condições, posso Posso ainda dizer que aquilo que eu acabara de escrever “não era aquilo que eu queria dizer”, o que equivaleria ao traço cortando as palavras. 
Sob essas condições, escrevo então rapidamente a tal mensagem descrevendo como você age e qual a minha avaliação. Logo em seguida, percebo que usei palavras fortemente negativas, de modo que não estavam de acordo com a avaliação que eu de fato gostaria que você recebesse, que era uma avaliação não tão negativa. Temendo sua reação forte diante daquelas palavras fortes, me resta cortar com um longo traço todas as minhas palavras iniciais e escrever embaixo destas, no espaço restante, a minha avaliação mais amena. Que efeitos vai ter essa segunda avaliação, já que você poderá ler a primeira? Que efeitos terá a expressão "não era aquilo que eu queria dizer"?

O mestre está sozinho



O mestre está sozinho.
Não espera que o levem pela mão,
mas sequer tem quem lhe aponte o caminho.

Mestre e principiante caminham primeiro com aquele à frente deste.
Depois, lado a lado.
Depois, o mestre deixa de ser mestre e o principiante deixa de ser principiante.
Então, ainda que em companhia, passam a caminhar solitários.

Adiante, o caminhante solitário há de encontrar outro mestre.
Caminharão... este à frente daquele.
Caminharão juntos...
Até caminharem sozinhos.