domingo, 28 de agosto de 2016

Quando eu escrevo

Quando eu escrevo, 
Não escrevo para ninguém. 
Não escrevo para você, para ela ou para ele. 
Não dou indiretas, não faço dedicatórias. 

Quando eu escrevo, é para falar de uma coisa que me acontece.
Ou de algo que ocorreu. 
Sim, bem pode ser sobre uma experiência contigo. 
Boa ou ruim.
Ou sobre algo que você me disse,
Ou que outros disseram e eu ouvi.
Mas não vai ser sobre você. 
Nem sobre mim.

Quando eu escrevo, escrevo pelo jogo: 
Encaixar palavras
de um certo jeito diverso
para sentir como elas se equilibram em mim.
Ou para deliciosamente ver como elas te desequilibram...

Quando eu escrevo, escrevo pelo experimento: 
O que me acontece irá mudar ao se transmutar em texto? 
O que você não me dirá quando o ler e me ver? 
Iremos nos olhar de um outro jeito, incerto, diverso?

Quando eu escrevo, escrevo pela perda de tempo: 
Eu deveria estar trabalhando...
Mas estou aqui brincando com a página,
Inventando com ela fingidos sentimentos e falsas impressões.

Quando eu escrevo... 
Eu estava pensando em você?
Ou seria em outra pessoa? 
Talvez em mim mesmo? 
Em ninguém talvez... 
Ou em todos nós.

Como não sei pintar, 
Escrevo o que vejo.
Se, no que descrevo, 
Você se vê,
É porque nós estamos olhando para o mesmo lado 
Ou um para o outro.
E, se for assim,
Que nesse encontro possamos sorrir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário