Se a carapuça servir...
Que te sirva de lição!

28 novembro 2014
Aforismos, trocadilhos e nanotextos... n. 9
Sem eu nem outro não existe comparação. Se não há comparação, tem-se a si, não há disputa.
Aforismos, trocadilhos e nanotextos... n. 8
Após ficar na frente do computador por volta de 6 horas, me retiro para a frente da TV. Que vida é essa em frente de telas? Antes fossem de pinturas.
14 novembro 2014
Aforismos, trocadilhos e nanotextos... n. 7
"Não há ninguém perfeito." – dizem.
E está certíssimo.
Quem é que não faz merda de vez em quando?
E está certíssimo.
Quem é que não faz merda de vez em quando?
Só um animal morto, que já é o próprio dejeto.
Ou deuses, que carecem de genitálias...
Ou deuses, que carecem de genitálias...
Aforismos, trocadilhos e nanotextos... n. 10
Dizem: "Faltam-me palavras..." Nessa hora o problema é o contrário: palavras estão em excesso, sobram palavras. Fala-se demais, vive-se de menos.
Aforismos, trocadilhos e nanotextos... n. 6
Dizem: "A realidade é construída pela linguagem e, além disso, toda
descoberta é uma invenção."
De fato, no século XVI, os
portugueses inventaram que além-mar havia índios numa terra inventada chamada, então, Brasil... E
como tudo não passava de uma invenção, mataram sem culpa todos os índios
no final.
"E tem fatos. Apaixonei-me subitamente por fatos sem literatura - fatos são pedras duras e agir está me interessando mais do que pensar, de fatos não há como fugir." (C. Linspector, A Hora da Estrela, 1977, p. 16)
"Como é chato lidar com fatos..." (C. Linspector, A Hora da Estrela, 1977, p. 72)
"E tem fatos. Apaixonei-me subitamente por fatos sem literatura - fatos são pedras duras e agir está me interessando mais do que pensar, de fatos não há como fugir." (C. Linspector, A Hora da Estrela, 1977, p. 16)
"Como é chato lidar com fatos..." (C. Linspector, A Hora da Estrela, 1977, p. 72)
29 outubro 2014
Nossa paisagem é toda ela feita de curvas
![]() |
Thomas C. Fedro - Lovers |
Nossa paisagem é toda ela
feita de curvas:
concavidades, convexidades, recuos,
saliências.
É uma paisagem para ser vista
com a língua.
E para uma língua que caça
um encaixe:
Teus lábios...
E provar o molhado, e sentir
o calor e saborear o que for...
Liso...
Áspero...
Liso...
Sem pressa...
Afinar os instrumentos...
Tirar música de um bom
dedilhado...
E correr todo o corpo,
Teclar,
Palmo a palmo, um de cada
vez
Então um traço, um arrasto,
...um arrrrrranhado.
Da música ao rumor, do rumor
ao suspiro, do suspiro aos choques.
Já não existe mais calma: há
pressa.
São voltas-revoltas, ventos-movimentos,
fragores-fulgores.
Sussurros, sibilos, estalos.
Soluços, bramidos, chiados.
Tremores.
E o horizonte se abre
Nuvens flutuam
Silêncio.
Estou doente
Estou
doente:
Fico te
vendo em todo lugar para onde eu olho e não te vejo.
Doente,
Porque
até os meus olhos ficam pensando em você...
Doente
dos olhos!
Eu vejo o
seu rosto em relance
Em cada
relance de rosto,
Mas os
olhos não foram feitos para isso.
Não se
pode amar o que se vê só de olhos fechados.
Reticências VII
Se te penso, você não ouve.
Se te amo, você não vê.
O amor está aqui dentro? Ou aí?
Nada.
Somos pele, então carne e ossos.
No peito, coração é só isso que bate,
Às vezes mais rápido quando te vejo.
Mas dentro dele só há sangue em fluxo,
Às vezes mais lento quando te deixo.
Vê?
Também não tenho alma
E sou só corpo.
Não sou um vaso vazio,
Mas um bloco vivo.
E digo:
Eu sou isto que olhas e vê passar.
Eu sou esse que fala e te faz falar.
13 setembro 2014
Reticências VI – Ela...
Detesto você me trazer à fala.
Não vê que o nosso elo é de silêncio?
Você fala muito e isso me faz falar
Para que você se cale.
...
...
...
Sim...
É bem melhor assim...
Quando as nossas bocas se juntam
Com nenhum espaço pras palavras
E os nossos olhos fechados
Nos fazem ver a nossa pele:
Cintura com cintura
E os meus seios
E as suas mãos
E os nossos beijos.
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