13 novembro 2022

ontem eu me calei, hoje eu não me calo

o meu amor sempre será muito maior 
do que o seu ódio jamais será

a minha generosidade sempre será muito maior
do que o seu isolamento orgulhoso

o meu sorriso irá sempre brilhar muito mais solto
do que todo o teu palavreado barroco

a minha sinceridade impulsiva e desbocada 
sempre vai mostrar como é moldada 
essa tua educação de máscaras

na minha mão direita porto meu afiado Alvorecer
feito do aço forte forjado 
pelas porradas do destino
que me dá a coragem para enxergar e ver
os meus desaforos 
e os meus próprios desatinos
luz que eu brilho e que sempre irá mostrar 
o teu tamanho verdadeiro
que não passa de um pequeno, 
assustado, sozinho, ferido e amargo
menino

veremos todos como a tua generosidade 
não passa de um mínimo
será revelado como o teu sorriso 
é um intrincado ornamento de ouro: 
raro, amarelo e artificial

ficará às claras 
para quem tiver olhos de ver 
como o teu amor é um milagre 
que jamais aconteceu
mas foi representado
no teu teatrinho de sombras
brincando de amar com chantagens suicidas
seguindo a burrice muito linda
e desnecessária
do amor de Julieta e de Romeu

e você bem que gostaria 
mas jamais irá ver o dia da sua beatificação
o teu nome nunca será louvado
mas sim apenas cuspido e vomitado

pois tu, moleque, é o primeiro a dar o exemplo
de só saber vomitar ódio e impaciência
correr, correr e queimar as pontes por onde passa

falar, falar, falar dez mil palavras complicadas
que todas juntas e espremidas 
não querem dizer porra nenhuma
mas tentam ensinar sempre 
que somos nós quem não sabe de nada
e que o senhor é o grande detentor 
de toda a luz e de todo o calor

e nos trata como loucas 
quando temos a ousadia de questionar 
o por quê dos seus por quês
e pra se defender
tão frágil e assustadiço
menino ouriço
tu nos violenta com a educação 
de uma excelentíssima santidade

oh mestre, oh ilustríssimo mestre
professor da cortina de fumaça
nós somos velhas moças 
já muito bem temperadas, desiludidas
e cansadas

cansadas
de todas as tuas aulas práticas 
naquilo que tu, oh sumidade, é muito mestre:
a de cagar pela boca a bosta 
da tua preciosa subjetividade
que vem banhada pelo perfume 
da tua azeda passivo-agressividade

ontem eu me calei
hoje eu não me calo


#sonsofVmbrA

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