É difícil achar pessoas raras,
mas não é raro achar pessoas difíceis.

27 dezembro 2013
12 dezembro 2013
Sincrônico
Muitas e muitas coisas coincidem
E não querem dizer nada.
Mas não deixamos de nos encantar
Com essas coincidências,
E nos enganar,
Querendo dizer com elas muitas coisas.
São muitas e pequenas e belas
As coincidências quando eu te amo.
E o universo parece girar
Ao nosso redor.
E tudo lembra você, desde as mais pequenas coisas
E cada vez mais coisas se relacionam a ti...
A ti elas me relacionam!
E eu continuo aqui...
Sempre em você
A coincidir.
E não querem dizer nada.
Mas não deixamos de nos encantar
Com essas coincidências,
E nos enganar,
Querendo dizer com elas muitas coisas.
São muitas e pequenas e belas
As coincidências quando eu te amo.
E o universo parece girar
Ao nosso redor.
E tudo lembra você, desde as mais pequenas coisas
E cada vez mais coisas se relacionam a ti...
A ti elas me relacionam!
E eu continuo aqui...
Sempre em você
A coincidir.
"...é como o olho calmo do furacão"
...é como o olho calmo do furacão,
que a tudo pega, desmonta e espalha.
E me vejo depois perdido,
em meio aos escombros,
com tudo de novo por reconstruir.
O que é isso? Não sei,
mas está aí a me olhar.
que a tudo pega, desmonta e espalha.
E me vejo depois perdido,
em meio aos escombros,
com tudo de novo por reconstruir.
O que é isso? Não sei,
mas está aí a me olhar.
04 dezembro 2013
16 novembro 2013
Retiro o que disse
Digamos que eu preciso passar
a você uma mensagem na qual eu devo dizer como você se comporta perante os
outros. E nessa mensagem eu devo dizer qual a minha avaliação (positiva ou
negativa) sobre o seu comportamento. Imaginemos que para isso eu só tenha uma
única folha e apenas uma caneta, além disso que eu seja proibido de apagar ou
borrar o que eu escrevi. Se eu quiser indicar que houve um erro no que escrevi,
só poderei no máximo passar um traço cortando as palavras que eu gostaria que
fossem desconsideradas. Por exemplo, assim: melancia. Sob essas condições, posso Posso ainda
dizer que aquilo que eu acabara de escrever “não era aquilo que eu queria dizer”,
o que equivaleria ao traço cortando as palavras.
Sob essas condições, escrevo
então rapidamente a tal mensagem descrevendo como você age e qual a minha
avaliação. Logo em seguida, percebo que usei palavras fortemente negativas, de
modo que não estavam de acordo com a avaliação que eu de fato gostaria que você
recebesse, que era uma avaliação não tão negativa. Temendo sua reação forte
diante daquelas palavras fortes, me resta cortar com um longo traço todas as
minhas palavras iniciais e escrever embaixo destas, no espaço restante, a minha
avaliação mais amena. Que efeitos vai ter essa segunda avaliação, já que você poderá ler a primeira? Que efeitos terá a expressão "não era aquilo que eu queria dizer"?
O mestre está sozinho
O mestre está sozinho.
Não espera que o levem pela
mão,
mas sequer tem quem lhe aponte
o caminho.
Mestre e principiante
caminham primeiro com aquele à frente deste.
Depois, lado a lado.
Depois, o mestre deixa de
ser mestre e o principiante deixa de ser principiante.
Então, ainda que em
companhia, passam a caminhar solitários.
Adiante, o caminhante
solitário há de encontrar outro mestre.
Caminharão... este à frente
daquele.
Caminharão juntos...
Até caminharem sozinhos.
30 outubro 2013
Aforismos, trocadilhos e nanotextos... n.2
Criações humanas: craques, crenças, crianças, cronologias e crucificações.
Reflexos
Encarar
a si mesmo.
Sou
este que me olho quando miro meu umbigo e fecho as pálpebras e sinto respirar?
...percebo a ponta do meu nariz aqui....
Si
mesmo a encarar.
Ou
este que vejo é este que olho no reflexo do olho deste outro que tenho diante
de mim?
...noto a distorção desse espelho
convexo aí...
Olhar
em redor.
Enxergo
minha própria pessoa?
...Observam, outros, que observo...
Redor
em olhar.
Pessoa,
própria minha, enxergo?
...Observo que outros observam...
20 setembro 2013
Reticente
...
O silêncio...
...a fala em potência.
Ouvir na reticência
o dizer no que não se diz.
Ouve o meu silêncio!
Atenta ao que não te digo!
Decifra quando paro e me calo!
Veja:
É porque tenho ouvidos
já cansados...
Das tuas palavras em excesso
Das tuas palavras em excesso repetidas
Das tuas palavras em excesso repetidas prolixas
Das tuas palavras em excesso repetidas prolixas vazias
...cheias de ti.
O silêncio...
...a fala em potência.
Ouvir na reticência
o dizer no que não se diz.
Ouve o meu silêncio!
Atenta ao que não te digo!
Decifra quando paro e me calo!
Veja:
É porque tenho ouvidos
já cansados...
Das tuas palavras em excesso
Das tuas palavras em excesso repetidas
Das tuas palavras em excesso repetidas prolixas
Das tuas palavras em excesso repetidas prolixas vazias
...cheias de ti.
04 agosto 2013
O meu olhar é embaçado como o que eu digo
O meu olhar é embaçado como o que eu digo.
Não vejo com os olhos, vejo com a língua.
E o que vejo a cada momento
É aquilo que antes eu já tinha previsto,
E me dou por isso muito mal.
Sei ser um tolo essencial
Como uma criança que, ao falar,
Não percebesse o que dissera deveras...
Sinto-me perdido a cada momento
Nos emaranhados embolorados do meu crânio
Creio nos meus devaneios como num pesadelo,
Porque os sinto.
E incomodado tento à toa não pensá-los
Porque sentir é o que os vivos sabem de melhor fazer...
Os pesadelos não se fazem para pensarmos neles
(Sonhar é flagrar o Desejo e o Medo transando)
Mas para vivermos eles e chorando sermos acordados...
Eu não tenho sentidos: tenho devaneios excessivos...
Se falo de tantos quereres e terrores não é porque tenha todos eles vivido,
Mas porque os sonho, e os sinto aqui estralando entre os meus ossos
Porque quem sonha nunca sabe direito porque sonha
Nem lembra tudo o que sonhou, nem o que é sonhar
Sonhar é uma infinita carência
E a última carência é não sonhar
Flerte
I
Sua pele então beijada me silencia
Estou nas sutilezas de dizer e não dizer
Eu me faço no revelar sem mostrar
Sou o bobo bem me quer mal me quer...
Meu bem não me quer?
Olha, pergunta, sorri
Quer
E te quero... e que ainda nem conheço!
E temo perder... o que ainda nem tenho!
E temo perder... o que ainda nem tenho!
Dou o movimento...
Jogo tenso, um empurra e puxa, trocas de olhar.
Jogo tenso, um empurra e puxa, trocas de olhar.
O
olhar projetado enquanto se recua, e então se encara...
...aprofunda-se íris adentro.
As
retinas, cortinas em contraluz, mostram em sombras quem está por dentro.
E
assim sorrisos entrevistos, visadas entressorridas no flerte,
desferindo palavras agudas,
perfumados floretes.
Dois a se confundir, um par a se olhar...
Dois a se confundir, um par a se olhar...
II
Não, eu não sei disfarçar.
Há coisas que me escapam
pelos poros
pelos olhos
pelos passos
pelos pensamentos... infindos balões imaginários,
Mais um ali passando!
Vê?!
O que me escapa?
Algo do que se queira dizer
Do que se queira
entregar
Do que se queira fazer...
Vê?!
Lá estou, disfarçadamente,
a te olhar...
22 julho 2013
Um estranho problema de repetição
Um estranho problema de repetição
é se ver outro nos mesmos lugares e situações. É se ver estranho às coisas ao
redor que antes eram tão comuns. E então pouco se suporta: é difícil aceitar o
mundo parado enquanto você em pleno movimento. Repetição de falas, repetição de
caras, repetição de fatos, mas que não mais ressoam em você, simplesmente
passam e quase matam... de tédio. Tédio, então cansaço, então enfado, então
sono. E você vibrando fortemente em outro tom, afinado com outras vozes, vendo
outras coisas naquelas mesmas coisas ainda as mesmas.
Você olha pro teto, procura uma saída, olha pros lados,
não vê opção. Finge que ouve, se põe civilizado, quando de fato o que queria
era mandar tudo pra merda, ou seja, tudo pro seu devido lugar: esse passado não
passa da merda que você caga e descarga, lava as mãos e vai embora.
Ir
embora, sempre indo, não parando e você vai sempre se fazendo estranho aos
mesmos mesmos nesse estranho problema de repetição.
17 julho 2013
09 julho 2013
in memoriam
Mecanicamente
eles repetiam:
“Bem-aventurados
os que promovem a paz,
Palavras do
Senhor, Graças a Deus...”
E saindo do
templo já se iam
Brigando entre
si, brincando de deus.
E não
satisfeitos com o poder outorgado,
Criavam mais
regras e bulas papais,
Criando mais
guerras e cada vez mais
Fazendo do
povo um mero seu gado.
Até hoje o
fazem, sem pena nem dó.
Há tantos mil’anos há tantos estragos,
há tantos
destratos, há tantos enganos,
que não se
estranha que o rebanho ande magro
e que o
santuário junte tanto mais pó.
Umbelino Neto,
à "Velhice do Padre Eterno, 1885"
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